O polémico debate sobre a sustentabilidade dos biocombustíveis foi reacendido por um novo estudo levado a cabo pelo Swiss Federal Laboratories for Materials Science and Technology (EMPA). O estudo intitulado “Harmonisation and Extension of the Bioenergy Inventories and Assessment”, contou com colaboração de cientistas de várias instituições - Empa, Institute Agroscope Reckenholz-Tänikon (ART) e Paul Scherrer Institute (PSI). A avaliação realizada envolveu a comparação do desempenho ambiental de 25 biocombustíveis e da gasolina. Os indicadores utilizados foram desde o potencial contributo para o aquecimento global, à destruição da camada de ozono, passando pelo aumento da ecotoxicidade dos meios de água doce e da toxicidade para os humanos. Embora tivesse sido considerado que os biocombustíveis possam ser sustentáveis, dependendo das condições e da tecnologia envolvida, os resultados sugerem que apenas alguns são mais ecológicos do que a gasolina. Sendo os biocombustíveis uma energia renovável derivada de produtos agrícolas, como a cana-de-açúcar, plantas oleaginosas, biomassa florestal e outras fontes de matéria orgânica, permitem diminuir a emissão de gases poluentes. A grande questão coloca-se no facto de os biocombustíveis não poderem, na prática, substituir os combustíveis fósseis (gasolina e gasóleo), se considerarmos que a área necessária para a sua produção implicaria uma redução da área agrícola, fundamental para a produção de matéria-prima para a produção de alimentos. “A maioria dos biocombustíveis, portanto, apenas altera o tipo de impacto ambiental: menos gases com efeito de estufa, mais poluição relacionada com a terra utilizada para a agricultura”, afirmou Rainer Zah, do EMPA. Desta forma, dando uso à expressão “uma solução não pode constituir um novo problema”, o que se constata é que estes combustíveis alternativos podem vir a representar uma pegada carbónica maior, se a sua produção implicar a desflorestação para a criação de áreas de cultivo de matéria-prima, considerando os impactos ambientais que daí podem advir pela acidificação do solo, poluição de lagos e rios e pelos níveis de fertilizantes usados no cultivo da vegetação. Por outro lado, efeitos positivos podem ser alcançados se o cultivo de agrocombustíveis contribuir para o aumento do teor de carbono do solo. Dos resultados obtidos concluiu-se também que, dependendo da matéria-prima usada, o biogás produzido a partir de resíduos e desperdícios é um dos poucos biocombustíveis que menos prejudica o ambiente em comparação com a gasolina, podendo o seu impacto ambiental ser menos de metade em relação aos combustíveis fósseis.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
BIOCOMBUSTÍVEIS SÃO MAIS ECOLÓGICOS?
sábado, 28 de julho de 2012
QUALIDADE DO AR INTERIOR EM CRECHES E INFANTÁRIOS
“O ambiente da residência desempenha um papel importante no desenvolvimento saudável da criança.”
Directrizes para uma Habitação Saudável, 1990
Segundo o primeiro comité de peritos da Organização Mundial de Saúde em aspetos de saúde pública da habitação e saúde, é estabelecida uma forte relação entre o ambiente e a habitação uma vez que o ambiente residencial é constituído por bastantes elementos suscetíveis de provocar efeitos prejudiciais na saúde dos seus ocupantes. Estes peritos estabeleceram uma associação positiva ou negativa entre habitação e saúde, ou seja, uma habitação de má qualidade correlaciona-se com uma saúde de menor qualidade e vice-versa.
Por forma a desenvolver o conhecimento sobre a qualidade do ar interior (QAI) nas escolas e a sua influência na saúde das crianças, um grupo de médicos, engenheiros e especialistas em qualidade do ar interior reuniram-se, em parceria com a Faculdade de Ciências Médicas Universidade Nova de Lisboa, o INSA, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e o Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), dando origem ao Projeto Ambiente e Saúde em Creches e Infantários (ENVIRH). O seu principal objetivo é analisar a relação entre “as características construtivas do edificado, a qualidade do ar no interior (QAI) e a saúde das crianças que frequentam instituições de ensino pré-escolar em Lisboa e no Porto”. Desta forma pretende-se contribuir para a criação de espaços mais saudáveis e por sua vez para a melhoria da qualidade de vida das crianças.
Apesar do estudo ainda se encontrar em fase tratamento estatístico de resultados, já foi possível estabelecerem-se algumas conclusões.
A avaliação feita por médicos, engenheiros e peritos ambientais em 19 creches e infantários concluiu que a renovação do ar destes estabelecimentos é insuficiente, tendo em conta o número de ocupantes e as fontes de contaminação no local. Concomitantemente foram também encontradas algumas relações entre as características do edificado e o ambiente interior, e entre parâmetros da qualidade do ar interior e a saúde das crianças.
Do estudo realizado já foi possível concluir que um dos problemas detetados relaciona-se com a elevada densidade de ocupação humana, associada a más práticas de ventilação, que por sua vez facilita a acumulação de poluentes no ar com origem nos ocupantes, nos materiais de construção ou decoração e nas atividades desenvolvidas.
Ao fim ao cabo, a principal preocupação centra-se no agravamento do estado de saúde respiratório das crianças, nomeadamente em grupos suscetíveis como os asmáticos.
Para mais informações consulte o Website do Projeto Ambiente e Saúde em Creches e Infantários (ENVIRH)
domingo, 8 de julho de 2012
X Congresso Internacional de Medicina y Salud Escolar
1.º Anuncio:
Coincidindo com o aniversário da Constituição espanhola de 1812, com a declaração de direitos das crianças e com os vinte e cinco anos de existência de médicos escolares no Ministério da Educação na Andaluzia, comemora-se o X Congresso Internacional de Medicina e Saúde Escolar, este ano, sob o lema: Os serviços de saúde escolar no século XXI: para uma maior equidade.
O Congresso é organizado pela Associação Espanhola de Saúde Escolar e Universitária, coincidindo com o Congresso Ibero-americano de Medicina e Saúde Escolar, o Congresso Andaluz de Medicina Escolar e a Reunião de Peritos em Saúde Escolar.
Tem, ainda, o poio da EUSUHM (European Union of School and University Health and Medicine) /a União Europeia de Saúde Escola e Universitária.
Vai ser em CADIZ, dias 9 e 10 de Novembro de 2012.
Reservem esta data! A distância entre Lisboa – Cadiz é de 580 Km!
sábado, 7 de julho de 2012
Saúde dos Jovens
Resultados do estudo
Importância do estudo
quinta-feira, 31 de maio de 2012
A crise e o desinvestimento em segurança
A crise é desculpa para quase tudo, inclusive para não investir na segurança dos trabalhadores.
A atual crise económica que se faz sentir em todos os mercados, está a instigar as empresas à realização de cortes significativos em todas as áreas de atividade, colocando em causa a segurança corporativa. Este panorama leva-me a concluir que ainda não desenvolvemos uma cultura de segurança dominante, pois quando temos consciência que as empresas ao investirem na segurança, estão a apostar na proteção dos trabalhadores e das instalações, e ao mesmo tempo a contribuir para a redução das perdas e a assegurar as receitas, saberemos com certeza que um corte drástico nesta área, irá acarretar consigo um alto risco, quer pelo aumento dos acidentes de trabalho e doenças profissionais, bem como pelo aumento da vulnerabilidade e perda de competitividade.
Luís Lopes, coordenador do grupo que elaborou o plano de estratégia nacional para a segurança e saúde no trabalho, da Autoridade para as Condições de Trabalho, afirma que os empresários estão a desinvestir nas condições de trabalho por considerarem que se trata de um setor não produtivo.
Investir na segurança não é um custo mas antes um beneficio!
Os riscos psicossociais poderão vir a ser aqueles que representarão a potencial causa de absentismo nos próximos anos, esta questão prende-se não só com as condições físicas e imediatas do trabalho, mas também com as condições psicológicas em que o trabalho é preenchido.
Os acidentes de trabalho e as doenças profissionais acarretam, para o trabalhador, um conjunto de consequências, temporárias ou permanentes, quer a nível pessoal, quer a nível laboral, que vão desde custos de saúde não suportados pelas seguradoras, interrupção/ redução da atividade física do trabalhador até a diminuição da remuneração durante o tempo da incapacidade e todo o cenário contribuirá para o aumento das despesas de uma forma geral e a diminuição da qualidade de vida.
Quando a lesão causa a morte as consequência são claramente bastante mais gravosas!!
De uma forma geral o acidente e a doença profissional provocam um sofrimento pessoal que não é quantificável em termos financeiros. Pode inclusivamente conduzir a uma grave degradação da situação social, caracterizada por uma diminuição de segurança e uma alteração dramática das circunstâncias sociais, principalmente quando um individuo se vê obrigado a abandonar o emprego.
Custos dos Acidentes de Trabalho
Fig. 1 - Iceberg de Heinrich
Custo total dos AT = Custos Diretos + Custos Indiretos
Custos Diretos: representa o montante total das indemnizações e pensões pagas pelas seguradoras, respetivamente: prémios de seguros, reembolso do salário; despesas médicas.
Custos Indiretos: representa o valor assumido diretamente pela empresa, nomeadamente: danos em máquinas; perdas de produção; imagem negativa da empresa perante a comunidade; tempo perdido na formação de outros trabalhadores para desenvolver a mesma atividade; pagamento de horas extraordinárias.
Aos custos aparentes adicionam-se os custos indiretos, impossíveis de contabilizar na sua totalidade, abrangem:
– Custos salariais: trata-se de custos decorrentes do tempo perdido pela vítima, pelos colegas que interrompem o trabalho, pelo pessoal médico, pelo pessoal técnico responsável pela reparação do equipamento danificado;
– Custos decorrentes do aumento das despesas de gestão do pessoal: abrangem as despesas decorrentes da admissão de um substituto temporário ou definitivo, dos salários complementares pagos à vítima para além das prestações pagas pelo seguro, das horas suplementares pagas aos colegas da vítima para que recuperem o tempo perdido e da formação dispensada aos substitutos;
– Custos materiais: dizem respeito à reparação ou substituição do equipamento danificado, ao aumento dos prémios de seguro contra “danos em equipamento”;
– Outras despesas de peritagem, honorários de advogados, sanções, etc.
Estes prejuízos indiretos podem ser três a cinco vezes superiores aos custos diretos.