segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Dia mundial da Saúde Ambiental, 2011

Comemora-se hoje, pela primeira vez em todo o mundo o Dia Mundial da Saúde Ambiental.

O Dia Mundial da Saúde Ambiental tem lugar no dia de hoje como resultado do 11º congresso, decorrido em Vancouver em Setembro de 2010, onde se decidiu que o dia 26 de Setembro de 2011, marcaria o primeiro Dia Mundial da Saúde Ambiental.
A marca  da Saúde Ambiental no calendário mundial, pretende ao fim ao cabo comemorar todo o trabalho que tem vindo ser desenvolvido no âmbito da saúde pública e da eficácia ambiental e ao fim ao cabo destacar o trabalho de todos os profissionais ligados à saúde ambiental que lutam diariamente para o bem estar das populações!
Apesar de não ter sido definido nenhum tema concreto para esta celebração, ficando a cargo de cada organização profissional promover um tema do seu trabalho que claramente beneficie a sociedade, destaco que está a decorrer o IFEH Council meeting and International Summit of Environmental Health Students em Bali na Indonésia, em celebração deste dia. Em Portugal, o Departamento de Saúde Ambiental da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC) está a promover uma conferência, com a presença do Director Geral da Saúde, Dr. Francisco George e do Director Geral da Agência Portuguesa do Ambiente, Eng.º Mário Grácio, onde será feita uma apresentação sobre o Plano Nacional da Acção Ambiente e Saúde (PNAAS).
Aproveito ainda o momento para destacar outros eventos de grande interesse no âmbito da saúde ambiental:


Encontro Nacional de Saúde Ambiental 2011
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10 – 11 de Novembro de 2011 em Coimbra
4ª Conferência Europeia de Saúde Pública
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10 - 12 de Novembro de 2011
The Bella Centre – Copenhaga
XI Congresso Espanhol e II Congresso Ibero-Americano de Saúde Ambiental
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26 – 28 de Outubro de 2011
Bilbau, Espanha
 
12 º Congresso Mundial de Saúde Ambiental 
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"Novas Tecnologias, Ser Humano Saudável e Meio Ambiente"
22-27 Maio de 2012 - Vilnius, Lituânia

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Gerir o Serviço Nacional de Saúde em Tempos de Mudança


O Governo português prevê que as regras aplicáveis às taxas moderadoras da saúde sofram alterações a partir do mês de Setembro de 2011, sendo que o valor das mesmas irá variar de acordo com o rendimento de cada utente. O acordo entre o Governo e a troika já previa um aumento das taxas, mas para reduzir até 2013 as despesas do Serviço Nacional de Saúde em 550 milhões de euros, segundo as exigências da troika, o Governo não modificará apenas as taxas moderadoras como também a lista de isenções. 

Posto isto, uma questão imediata se coloca:

A saúde deve ser um direito de todos ou apenas daqueles que a podem pagar?

Na prestação de cuidados de saúde todos têm de ser iguais, não fazendo qualquer sentido perguntar primeiro às pessoas quais os seus rendimentos, sob pena de entrarmos num cenário de saúde para ricos e para pobres!

Margaret Chan, Directora Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), direcciona a nossa atenção, no Relatório Mundial de Saúde, para a procura de opções que melhorem a eficiência do SNS, ao invés de nos focarmos exclusivamente no corte das despesas. Margaret Chan defende que ninguém deve ser forçado à ruína para se tratar! Sendo apontado ainda, neste mesmo relatório, que o aumento das taxas moderadoras representa de longe o maior obstáculo ao progresso desta medida.

Por outro lado, António Arnaut, “pai” do SNS, reforça que a saúde é um direito fundamental consagrado na nossa Constituição como tendencialmente gratuito e não tendencialmente pago. Ele é, pois, um direito que radica na ideia de dignidade da pessoa humana. Neste sentido, se as alterações previstas forem implementadas, o acesso à saúde universal inscrito na Constituição da República irá ser desconsiderado.

Na realidade o financiamento do SNS não deverá ter por base o aumento das taxas moderadoras. É assim possível concluir-se que o modelo de gestão deve evoluir para melhor responder às necessidades actuais, onde muito provavelmente a sua eficiência passará muito em parte pela modificação interna e melhor gestão do SNS.

Apesar de todos os cortes previstos, o actual programa do Governo para a saúde pretende apostar na regulamentação e desenvolvimento do sector da saúde pública, com especial enfoque na actuação das Autoridades de Saúde e da aplicação de sistemas de vigilância epidemiológica. No meio de todo o panorama anteriormente referido, esta parece uma boa notícia e diria até que inteligente, pois na realidade ao abrirmos as portas à Saúde Pública estamos a permitir que esta tenha uma papel mais activo e uma expressão mais vincada. Será desta forma que a prevenção e promoção da saúde assumirá uma parte nuclear do Sistema Nacional de Saúde, onde a prevenção primária representará a medida menos custosa e ao mesmo tempo mais eficiente. Ao fim e ao cabo ao apostarmos no desenvolvimento de uma população mais saudável e mais responsável pela sua saúde estamos certamente a contribuir para a diminuição da morbilidade em Portugal e por sua vez para a diminuição da necessidade de consumo de cuidados de saúde.
 
*Artigo de opinião publicado na newsletter #3 da SPSA.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Prevenção de Acidentes com Pessoas Idosas

Quando pensamos em acidentes domésticos, a nossa preocupação é normalmente direccionada para as crianças, mas relembremos que os idosos também correm riscos dentro de casa. Quanto mais avançada for a idade, maior é a propensão para estar envolvido em acidentes deste tipo, uma vez que o processo de envelhecimento impõe algumas limitações de carácter físico.
 
Os acidentes são um grave problema de saúde pública, com impacto significativo na qualidade de vida das vítimas e nos encargos financeiros do SNS devido a cuidados de emergência, tratamentos e hospitalizações.
Francisco George - Director Geral da Saúde

Para intervir de forma integrada sobre os acidentes domésticos e de lazer, de trânsito e de trabalho, temos em curso o Programa Nacional de Prevenção de Acidentes, já anteriormente aqui abordado.

Neste contexto,  serão realizadas até 2016, diversas acções que apresentam como objectivo principal a capacitação da população e dos grupos de risco sobre segurança, cidadania e prevenção dos acidentes, formação dos profissionais de saúde, intervenção no ciclo do trauma e monitorização dos acidentes.

No âmbito da formação dos profissionais de saúde, a Direção-Geral da Saúde assinou um Protocolo com a Fundação MAPFRE que tem em curso um Projecto intitulado «Com Mais Cuidado» dirigido à prevenção dos acidentes domésticos com pessoas idosas.

O projecto é apoiado por um conjunto de materiais pedagógicos que vão ser disponibilizados aos profissionais de saúde ou Unidades de Saúde que pretendam desenvolver projectos nesta área a partir da formação e familiarização com os mesmos.

A primeira acção de formação, intitulada "Com Mais Cuidado: Prevenção de Acidentes e Envelhecimento Activo",  realizar-se-á no dia 18 de Outubro de 2011, é destinada a profissionais de saúde,  os quais se podem candidatar até dia 3 de Outubro, sem custos de inscrição.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Alimentação Segura e Saudável na Praia

OLYMPUS DIGITAL CAMERA         O verão é uma estação do ano onde as temperaturas permanecem elevadas e os dias são mais longos. Normalmente, o verão é uma altura do ano reservado às férias, deslocando por isso muita gente até às praias. Como nas férias consumimos mais refeições fora de casa, mais propriamente na praia, existem alguns cuidados que devem ser tomados em relação à alimentação por forma a serem evitados constrangimentos com a nossa saúde. 

Estes cuidados visam evitar intoxicações alimentares causadas pela presença de bactérias, como Staphylococcus aureus e Clostridium Perfringens, nos alimentos, que podem ocasionar sintomas como vómitos, diarreia, e até mesmo cólicas abdominais, cefaleia e febre. As causas mais comuns da contaminação alimentar são: o armazenamento inadequado e o contacto com utensílios, manipuladores e outros alimentos contaminados. Alguns alimentos são mais susceptíveis à contaminação, como as carnes, aves e pescados, leites e derivados e verduras, sendo que estas últimas normalmente apresentam contaminação pela inadequada higienização ou mesmo pela utilização de água contaminada na higienização. 

Algumas dicas:


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sábado, 30 de julho de 2011

Riscos Ocupacionais Emergentes

O ambiente de trabalho, hoje caracterizado por instabilidade e incerteza, implica mais do que nunca por parte dos trabalhadores o desenvolvimento de capacidade para adaptação à mudança e flexibilidade.images

O acordo com a ‘troika' e o próprio programa do Governo esboçam um conjunto de medidas na área do mercado de trabalho. A redução das indemnizações por despedimentos, a alteração do vínculo laboral com a previsão do Contrato Único, a generalização da precariedade com a admissibilidade do recurso ao trabalho temporário sem qualquer motivo justificativo, a criação de um Fundo de Garantia para o qual os trabalhadores descontarão com o objectivo de pagar a sua indemnização por despedimento, a alteração das regras da cessação do contrato de trabalho, o ataque à negociação colectiva permitindo a aplicação de mecanismos como o banco de horas sem a previsão nas convenções colectivas e a transferência para a negociação de base empresarial de matérias como horário de trabalho, salário e mobilidade, entre outras medidas que vão desequilibrar, ainda mais, a relação entre entidades patronais e trabalhadores, sempre a favor das entidades patronais.

1265101777_corda_bambaA crise social e económica que o país atravessa, em muito afectou o mercado de trabalho, criando um clima de insegurança e instabilidade que se faz sentir, acarretando com isso o aparecimento de novos risos dos quais destaco os psicossociais. A instabilidade de trabalho tornou-se um stressor que interfere com o campo pessoal e profissional.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), estima-se que cerca de 5000 pessoas por dia, morrem em consequência de acidentes no trabalho e doenças profissionais. Os factores psicológicos como o stress, tem sido apontados pela Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), como os grandes responsáveis pelo aumento dos acidentes de trabalho, ocupando as depressões, o stress, o burnout e as doenças do foro psicológico um lugar de destaque na sociedade actual.

O nível de organização do trabalho diz respeito a um ambiente configurado e ordenado pelo empregador para ir ao encontro das estratégias de produção e de resposta ao ambiente envolvente, que pressupõe a disponibilidade de um conjunto de capacidades e valência da parte dos trabalhadores. É possível distinguir quatro grandes modelos de organização do trabalho: organização do trabalho activa, passiva, de baixa tensão e de elevada tensão, correspondendo esta última a situações experienciadas pelos trabalhadores de elevada exigência, não lhe sendo permitido contudo, controlar os acontecimentos. Os trabalhadores têm de se adaptar passivamente a qualquer modificação no trabalho ou a exigências contraditórias (Karasek, 1979). É por este motivo que os muitos postos de trabalho são actualmente identificados pelos elevados níveis de stress ocupacional.

Sabe-se actualmente que o stress ocupacional poderá conduzir a problemas na saúde física, mental e na satisfação no trabalho, afectando o indivíduo e as organizações. A primeira definição de Stress foi avançada por Hans Selye (1980) para representar a propensão do organismo para reagir de forma idêntica a estímulos diversos. Quando confrontado com exigências que ameaçam ultrapassar as capacidades individuais para lidar com elas, o sistema psicofisiológico responde de uma forma geral e não específica. Cooper (1988) definiu stress ocupacional, como um problema de natureza perceptiva, resultante da incapacidade de lidar com as fontes de pressão no trabalho. As causas de stress, que existem ou não no ambiente laboral ou na ligação casa/trabalho, em conjunto com as características pessoais de cada indivíduo podem eventualmente conduzir aos sintomas ou às doenças relacionadas com o stress. Será relevante focar ainda que a caracterização de um fenómeno de stress depende da percepção do indivíduo em avaliar os eventos como stressors. O papel cognitivo é determinante no processo que ocorre entre os estímulos potencialmente stressors e as respostas do indivíduo, de acordo com a sua capacidade de avaliar demandas do trabalho como stressors que excedendo a sua habilidade para os enfrentar lhe causam reacções negativas a nível psicológico, fisiológico e comportamental. O stress normalmente é referido em três níveis: Eustress ou Stress Saudável, Distress ou Stress Disfuncional e Esgotamento ou Burnout. O primeiro nível relaciona o stress com a motivação suscitada pelos desafios profissionais, de uma actividade produtiva e propiciadora de realização, à qual acarreta um sentimento de bem-estar. O segundo nível, Distress, caracteriza-se por situações de não cumprimento das exigências das tarefas que despoletam insatisfação, cansaço, doenças físicas e psíquicas, entre outras. O Burnout, corresponde ao último nível de stress,  uma situação de total exaustão física, mental e emocional, fortemente condicionadora das tarefas diárias, originando um estado de depressão e fadiga física grave.

Desta forma, revela-se fundamental identificar as categorias de riscos que podem levar ao stress no trabalho e criar estratégias que permitam a sua gestão, representando estas medidas, um desafio para qualquer empresa, que uma vez consciente da necessidade de se ajustar ao novo cenário competitivo e globalizado, deve apostar na produtividade dos seus trabalhadores, considerando que esta depende fundamentalmente da saúde dos mesmos.

chaplin-modern-times50[1]A actual proposta de alteração da lei laboral, com a redução das indemnizações por despedimentos, pode beneficiar os bons trabalhadores ou os mais produtivos, em detrimento daqueles que pouco produzem mas são quase impossíveis de despedir (indemnizações). Por outro lado, não sei se este tipo de seriação será sempre justa, uma vez que por detrás destes despedimentos podem estar razões como a baixa de produtividade de um trabalhador, sendo este facilmente substituído por um outro. O que acontece neste cenário, é que deixa de existir uma preocupação efectiva entre a entidade empregadora e o colaborador, quer no seu investimento, na sua progressão, nas condições que lhe são proporcionadas, entre outros, ou seja, ao fim ao cabo acabará por vingar aquele que tenha maior resistência, e quando este falir, outro o poderá substituir. Não será que o factor humano vai começar mais uma vez a ser descurado e o homem passará a ser mais uma “peça na engrenagem?”

 

Documentos de Referência:

PROPOSTA DE LEI N.º 2/XII/1.ª

Novos Riscos Emergentes para a Segurança e Saúde no Trabalho ( Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho)